domingo, 7 de setembro de 2025

Versos quase póstumos

 Hoje me deito inquieto, a dor me toma por inteiro. Já não consigo mais saber, entre a dor e a saudade, quem veio primeiro. 

 Ela está deitada aqui, mas se foi e a dor me toma por inteiro. Já não importa quem feriu, quem foi e quem ficou, ninguém saí inteiro.

 Deitado com o abraço da dor, já quase me acostumo. Já sei deitar ao túmulo, se nos meus versos há dor, não liguem, já são quase versos póstumos.

Dói demais

 Dói demais, disse alguém

Se for homem, dor não diz respeito a ninguém.

Dói demais, disse ela

Se for homem é glória, não há pra mim coisa mais bela.

Dói demais, disse sensível 

Homem? Sorrindo. Dor? Inaudível.

Dói demais, disse uma única vez 

Dói demais, disse uma última vez.

Dói demais, tarde demais.